Decifra a ti mesmo ou devoro-te

Auto-conhecimento é a base para o homem manter-se integrado.

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Terra Blog

19.07.09

Rosas,Lavanda e Hibiscos

 

Algumas guardam a exuberância tropical, como o hibisco, e outras se destacam pela singeleza, como a lavanda. E há as que atraem o olhar por sua majestade: as rosas. As flores são, sem dúvida, uma das formas com que a natureza expressa todo o seu poder de sedução. Mas, repare, com elas não vêm apenas encantos e aromas. Muitas vezes, os melhores cremes, óleos e tônicos contêm, embora você nem perceba, ativos poderosos extraídos dessas plantas.

São antioxidantes, antiinflamatórios, vitaminas e ácidos que nutrem, protegem, acalmam e regeneram a pele. Essas propriedades terapêuticas ficam mais conhecidas à medida que a pesquisa se intensifica. Descobriuse, por exemplo, que o hibisco contém alfa-hidroxiácidos, importantes no combate aos radicais livres, os vilões do envelhecimento. O poder regenerante da lavanda já é conhecido há mais tempo. Desde que o perfumista francês Renée Gautefossé queimou as mãos e, num ato reflexo, as mergulhou na única coisa líquida que estava próxima: um balde de óleo de lavanda.

De modo empírico, são constatados os benefícios do uso das flores no alívio do corpo e da alma desde a Antiguidade. Foi na Grécia que surgiu o primeiro spa com tratamentos baseados em banhos e máscaras de ervas e pétalas de flores capazes de perfumar, embelezar, rejuvenescer e amenizar sintomas e dores.

“No perfume suave, na eficácia dos cosméticos ou na manifestação de carinho ao fazê-las presentes, as flores dispensam elogios, falam por si. Esbanjam virtudes”, diz Maly Caran, estudiosa e pesquisadora das ervas, que vive em São Francisco Xavier, no interior paulista.

 

Rosa
“Suas pétalas têm ação terapêutica por possuir flavonóides, que são substâncias com propriedades antiinflamatórias, adstringentes, antioxidantes e protetoras das paredes dos vasos sanguíneos”, explica Glauco Machado Bueno, biólogo especialista em plantas medicinais, que trabalha no Hotel Ponto de Luz, em Joanópolis, SP. “Ainda têm ação antialérgica, antibacteriana, regeneradora celular, tônica, hidratante e calmante”, complementa Maly. Suas partes utilizadas são as folhas, flores e seu óleo essencial. Este, precioso, já que é necessário de 2,8 mil a 6 mil kg de rosas para obter 1 kg de óleo essencial. Daí o alto preço dele, que pode chegar a 875 reais por 5 ml. “A rosa é indicada para a pele seca e madura. Ela ajuda a regenerar a pele enrugada, pois promove uma hidratação profunda em forma de loções, cremes e compressas. Nos banhos, serve para revitalizar e tonificar o corpo, além de aliviar irritações”, diz a conhecedora de flores e ervas.

Lavanda
“Rica em óleo essencial, que contém acetato de linalila, saponina e taninos, relacionados às ações antiinflamatórias e adstringentes, a lavanda é usada em tratamentos contra acne e afecções cutâneas”, conta Ana Elisa Koloszuk, coordenadora de desenvolvimento de produtos da Weleda. Segundo explica o biólogo Glauco Machado Bueno, ao inalarmos o aroma de seu óleo essencial, o hipotálamo envia uma mensagem à supra-renal, sinalizando a diminuição da síntese de cortisol, o hormônio do estresse, por isso é considerada tão relaxante. A ação calmante também é explorada na cosmética em óleos de massagem, de banho e produtos faciais. Indicada para peles mistas e oleosas, a lavanda pode ser usada em vaporizações. Uma dica de Maly Caran é pingar algumas gotas desse óleo essencial num borrifador com água filtrada. “Ajuda a limpar e refrescar”, diz. Outros bons usos: misturado ao óleo vegetal de sementes de uva durante a drenagem linfática e para aliviar a coceira e o inchaço provocados por picada de insetos, justamente pela sua ação antiinflamatória. Dez mililitros de óleo essencial de lavanda saem, em média, 34 reais.

Hibisco
Há vários tipos desta flor, a maioria originária da Ásia. Com uso medicinal, temos o Hibiscus abelmoscus e o sabdariffa. “Ambos com propriedades laxantes, adstringentes e sedativas suaves. O Hibiscus sabdariffa, em forma de chá, é usado popularmente como diurético, digestivo e para abaixar febres”, diz Glauco Machado, especialista em plantas medicinais. Suas folhas trazem proteínas, fibras, cálcio, ferro, carotenos e vitamina C. Mas é da flor do hibisco que vem o extrato glicólico, que contém alfa-hidroxiácidos (ácido málico, oxálico, cítrico e tartárico) com ação anti-radicais livres e hidratantes, usados em alguns cosméticos, como cremes faciais e tônicos.

Para você saber: há hibiscos ornamentais, como os que você vê na foto da página ao lado. Nesse caso, as espécies mais conhecidas são o aurora (Hibiscus mutabilis), o comum (Hibiscus rosa-sinensis), o da Síria (Hibiscus syriacus) e o mimo-de- Vênus (Hibiscus arboreus), originário do México.

 

Receita para clarear a pele

• 2 colheres (de chá) de amêndoas moídas (têm ação emoliente)
• 1 colher (de chá) de água de rosas (regeneradora)
• 1/2 colher (de chá) de mel (amacia, tonifica, nutre e melhora a textura da pele)

Modo de preparo
Misture os ingredientes até adquirir consistência. Aplique no rosto uma camada fina e deixe secar. Enxágüe com água destilada.

Sais de banho

• 1 xícara de sal grosso (desintoxicante)
• 3 colheres (de sopa) de flores de lavanda
• 5 gotas de óleo essencial de lavanda

Modo de preparo
Coloque os ingredientes em um pote de vidro para armazenar. Na hora do banho, use 3 colheres do preparo dentro de um saquinho de pano para mergulhar na banheira.

Mistura para tirar o inchaço do rosto

• 4 flores grandes de hibisco
• 1/2 colher (de sopa) de aveia em pó (a aveia alivia inflamações e acalma a pele)
• 10 ml de água mineral
• 1/2 colher (de sopa) de mel (nutre e amacia, tem propriedades antioxidantes)

Modo de preparo
Amasse as flores de hibisco, acrescente a aveia, a água e o mel e misture até ganhar consistência. Lave o rosto e aplique a máscara durante 10 minutos. Para retirar, enxágüe com água morna.

Fonte:Bons Fluídos









04.07.09

Coração X Mente

O Coração
:: Elisabeth Cavalcante ::

Como transformar nosso agir habitual, baseado nos conceitos que predominam em nossa mente, em um novo modo de viver, onde o direcionamento é dado, acima de tudo, pela nossa percepção interior?

Para muitos, este conceito é absolutamente incompreensível, mas entendê-lo passa a ser fácil quando mudamos o foco da cabeça para o coração. Ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, o coração não é um mau conselheiro.

Esta idéia tem como fundamento a confusão entre o coração e as emoções. Estas, sim, podem nos fazer tomar atitudes equivocadas quando se encontram em desequilíbrio.

As emoções negativas sempre se relacionam às necessidades do ego, como aprovação, aceitação, e quando estas não são satisfeitas, geram as reações habituais de mágoa, ressentimento e o desejo de dar o troco.

O coração é a sede do espírito, a dimensão divina do ser, aquela porção de nós onde reside a sabedoria e a consciência mais elevada. Ouvi-lo exige, fundamentalmente, que entremos na dimensão do silêncio, algo somente possível quando a mente e o ego deixam de ser os diretores de nossa vida, para tornarem-se coadjuvantes, cuja participação depende de nossa permissão.

A alegria, a criatividade e, acima de tudo, um relaxamento interior que nos leva a abandonar qualquer ansiedade ou desespero para lidar com as situações que a vida nos apresenta, são o resultado natural desta mudança de enfoque.

Um dos mais surpreendentes mistérios da existência é que, quanto mais utilizamos nossa luz interior, mais ela cresce. Aos poucos, ouvir nosso coração vai se tornando algo tão natural que nenhum esforço grandioso é necessário. Basta que direcionemos nossa atenção para dentro, e a voz interior suavemente sussurra sua verdade.

"O coração é o centro negligenciado. Quando você começa a prestar atenção nele, ele começa a funcionar. Quando ele começa a funcionar, a energia que estava automaticamente indo para a mente, começa a se mover através do coração. E o coração está mais próximo do centro de energia. O centro de energia está no umbigo - assim, bombear energia para a cabeça é, na verdade, um trabalho árduo.

É para isso que existem todos os sistemas educacionais: para ensiná-lo a bombear energia do centro, diretamente para a cabeça. Para ensiná-lo a se desviar do coração. Dessa maneira, nenhuma escola, nenhum colégio, nenhuma universidade ensina a sentir. Eles aniquilam o sentir, porque sabem que, se você sentir, não poderá pensar.

Se você sentir muito, então a energia ficará parada no centro do coração, não irá para a cabeça. Ela só pode ir para a cabeça quando o centro do coração é completamente negado. Ela tem de ir para algum lugar, tem de encontrar uma saída. Se o coração não for a saída, ela irá para a cabeça.

De fato, todo o sistema educacional desenvolvido em todo o mundo é para ensiná-lo a evitar o coração, a como tornar-se mais e mais mental e a como bombear a energia diretamente para a cabeça.

Assim, o amor é negado, o sentimento é negado, condenado - é quase um pecado sentir. A pessoa tem de ser lógica e racional, não emocional. Se você for emocional, as pessoas dirão que você é infantil - de certa forma, eles estão literalmente certos, porque só uma criança sente. Uma pessoa adulta instruída, culta, condicionada, pára de sentir. Ela se torna quase seca, madeira morta - não flui mais nenhum sumo dali. Daí haver tanto sofrimento: o sofrimento é por causa da cabeça.

A cabeça não pode celebrar, não há nenhuma celebração possível através da cabeça - ela pode pensar sobre e sobre e sobre, mas ela não pode celebrar. A celebração acontece através do coração.

Assim, a primeira coisa é começar a sentir cada vez mais e mais. Torne-se uma morada de amor, um santuário de amor; este é o primeiro passo. Uma vez que você dê este primeiro passo, o segundo será muito, muito fácil.

Primeiro, você ama - a metade da jornada está completa. E assim como é fácil mover-se da cabeça para o coração, é ainda mais fácil mover-se do coração para o umbigo. No umbigo você é simplesmente um ser, puro ser".
OSHO, For Madmen Only.

27.06.09

Instinto de Vida(Jung)

Quando Jung escreve sobre o instinto de vida, está necessariamente falando também sobre o INSTINTO DE MORTE. Isto porque seu interesse estava no modo como forças progressivas e regressivas se misturam na PSIQUE. Por exemplo, símbolos e imagens de morte podem ser compreendidos em termos de sua significação e sentido para a vida, ao passo que experiências e solicitações de vida necessitam ser compreendidas em seus aspectos relacionados com a morte. A vida vista como uma preparação para a morte, a morte como integrante da vida, resume sua perspectiva .

O uso de Jung do termo “instinto de vida” não é tão preciso quanto o de Freud. Enfatiza pouco a tensão entre os instintos autopreservativos e a sexualidade. (O “instinto de vida” de Jung lembra mais o “Eros” de Freud – isto é, uma observação mais abrangente da tendência do homem de reunião, consolidação, unidade e daí, progresso.). Entretanto, as referências de Jung ao instinto de vida relacionam-se mais com uma ENERGIA geral de vida, um élan vital ou animação. Contudo, isso provoca um problema conceitual; pois, se a energia é equiparada ao instinto de vida, mas ao mesmo tempo alimenta o instinto de morte, então a conclusão teria de ser que o instinto de vida é que abastece o instinto de morte. O dualismo seria substituído por um modelo em que o instinto de vida é primário. Para evitar isso, Jung normalmente retornava à idéia da energia como neutra, servindo indiferentemente aos instintos de vida e de morte – e ambos os instintos então são vistos servindo à psique e/ ou ao homem

Esquizofrenia(Jung)

Desde seus tempos de estudante, Jung era interessado na esquizofrenia (então conhecida como dementia praecox) . À medida que desenvolvia seu conceito do inconsciente coletivo e a teoria dos arquétipos, foi-se convencendo de que a psicose em geral e a esquizofrenia em particular poderiam ser explicadas como (a) uma dominação do EGO pelos conteúdos do inconsciente coletivo e (b) a dominação da personalidade por um COMPLEXO ou complexos dissociados ( ARQUÉTIPO; INCONSCIENTE).

A implicação básica disso era que uma forma de expressão e comportamento esquizofrênicos poderiam ser significativos, desde que fosse possível descobrir aquilo que significavam. Foi onde a técnica da ASSOCIAÇÃO foi usada pela primeira vez e, posteriormente, a AMPLIFICAÇÃO como um método de ver o material clínico num contexto de motivos culturais e religiosos. Isso levou, firme e decisivamente, ao rompimento com Freud, que ocorreu com a publicação de Symbols of Transformation (Símbolos da Transformação), uma análise mediante associação e amplificação do prelúdio de um caso de esquizofrenia (CW 5).

Mas, e quanto à origem da esquizofrenia? A evolução do pensamento de Jung revela sua incerteza. Ele está seguro de que a esquizofrenia é um distúrbio psicossomático, de que mudanças na química do corpo e distorções da personalidade estão de alguma forma interligadas. A questão era saber quais destas deveriam ser consideradas primárias.

O chefe de Jung, Bleuler, pensava que algum tipo de toxina ou veneno era desenvolvido pelo corpo, que então acarretava um distúrbio psicológico . A contribuição básica de Jung foi reavaliar a importância da PSIQUE o suficiente para inverter os elementos: a atividade psicológica pode levar a mudanças somáticas (CW 3, parág. 318). Porém, Jung tentou combinar suas idéias com as de Bleuler, mediante o uso de uma engenhosa fórmula. Conquanto a misteriosa toxina pudesse existir perfeitamente em todos nós, somente teria seu efeito devastador se circunstâncias psicológicas fossem favoráveis para isso. Alternativamente, uma pessoa poderia ser geneticamente predisposta a desenvolver a toxina e este fator estaria ligado inevitavelmente a um ou mais complexos.

Afirmar que a esquizofrenia poderia ser qualquer coisa diferente de uma anormalidade neurológica inata era, em seu tempo, revolucionário. Postular uma causa psicogênica em uma estrutura psicossomática geral (posição final de Jung, CW 3, parág. 553 e segs.) possibilitou-lhe propor tratamento psicológico (PSICOTERAPIA) como apropriado. A decodificação da comunicação esquizofrênica e tratamento em um milieu terapêutico formam linhas centrais na abordagem existencial-analítica desenvolvida por Binswanger (1945), Laing (1967) e, até certo ponto, são detectáveis nas tendências psiquiátricas contemporâneas.

Uma abordagem contemporânea e controvertida da esquizofrenia é a idéia de que a esquizofrenia não é realmente uma doença, mas, antes, uma medida daquilo que nossa sociedade considera normal e tolerável. Daí, como sugerem psiquiatras que se opõem à psiquiatria convencional, não é nada mais que uma classificação psiquiátrica: o mapa não é o território (cf. Szasz, 1962). O pensamento de Jung não vai tão longe assim, porém ele sublinhava que a “psicose latente” era muito mais prevalente do que em geral se admite e que o “normal” jamais é um termo suficientemente descritivo de um indivíduo. Uma nova discriminação, também sintônica com a opinião contemporânea, é que uma aparente falência nervosa de fato poderia ser uma forma de falência das defesas, um prelúdio iniciatório necessário para um novo desenvolvimento.

A experiência clínica de Jung com a esquizofrenia parece ter sido, principalmente, com sua forma “produtiva” (delírios, graves perturbações de pensamento, idéias de referência, etc.). Ele não escreve muita coisa sobre o característico “embotamento afetivo” esquizofrênico, tão marcante, hoje, em hospitais psiquiátricos. Sabe-se que as doenças mentais mudam de características de acordo com as transformações culturais – é uma razão por que sua existência é contestada. Por exemplo, o predomínio de paralisias histéricas na Alemanha e na Áustria durante os anos de 1890 podia ter algo a ver com a introdução de esquemas de seguro para acidentes ferroviários naquela época.

Uma fuga esquizofrênica pode ser considerada uma reação à ausência de significado e alienação da sociedade industrial moderna e, em particular, à experiência de uma extrema privação psicológica conseqüente à pobreza. Em circunstâncias socialmente empobrecidas, o esforço exigido para se manter vigilância sobre o inconsciente, por assim dizer, significa que qualquer espécie de emoção é reprimida ou dissociada da personalidade. O elemento de depressão em tal “psicose situacional aguda” também é algo não explorado por Jung. Aqui, precisamos lê-lo como um homem de seu tempo.

Diversos psicólogos analíticos (por exemplo, Perry, 1962; Redfearn, 1978) aplicaram referencial teórico desenvolvimentista à esquizofrenia. Os conteúdos da mente esquizofrênica permanecem arquetípicos em virtude da falha da mãe em ser mediadora deles para seu bebê – isto é, em reduzi-lo de algum modo a uma escala humana de modo que possam ser integrados. Eis por que o “embotamento” aparece como uma forma inconsciente de autocontrole. Trabalhar com pacientes esquizofrênicos ou gravemente perturbados requer do analista fazer uso considerável de sua contratransferência.

Psicose(Jung)

Um estado da personalidade em que “alguma coisa” desconhecida assume POSSESSÃO da PSIQUE em um maior ou menor grau e defende sua existência não intimidada pela lógica, persuasão ou VONTADE . O INCONSCIENTE invade, assumindo o controle do EGO consciente, e, uma vez que o inconsciente não tem funções organizadas nem centralizadas, a conseqüência é que existe uma confusão psíquica e um caos psíquico (ver ARQUÉTIPO). Se a estranha linguagem metafórica do inconsciente puder ser comunicada à CONSCIÊNCIA, porém, então, a psicose pode ter um efeito curativo. Quando a ENERGIA reprimida assim liberada pode ser canalizada proveitosamente, a personalidade consciente tem acesso a novas fontes de poder para a regeneração.

Estas idéias, originalmente apresentadas por Jung em 1917, porém reconsideradas e reformulas diversas vezes, representam uma abordagem da psicose da perspectiva da PSICOLOGIA PROFUNDA: e, muito embora, nas décadas recentes, o comportamento psicológico tenha provado ser manejável através da administração de drogas modernas, as condições psíquicas associadas a tais estados não se alteraram. O ataque de psicose pode ser súbito, muito embora a erupção possa ter estado preparando-se durante muito tempo. E, embora uma neurose possa ocultar uma psicose, o material suscitado por uma neurose é, em geral, compreensível em termos humanos ao passo que o da psicose não é. Aqui, uma fantasia incontrolável deixa-se soltar.

No que concerne à etiologia, Jung encontrava dificuldade para dizer que via na predisposição psicológica inata de uma pessoa alguns dos determinantes de sintomas posteriores, porém, não a causa única da psicose ( ESQUIZOFRENIA; PATOLOGIA). Se uma condição psicótica é acessível à psicoterapia, pode-se fazer uma tentativa de fortalecer o ego o bastante para que os conteúdos psíquicos possam ser integrados. Entretanto, se não fosse feita nenhuma elaboração, a opinião de Jung era de que, com toda probabilidade, o processo simbólico permaneceria caótico e fora de controle. Embora muitas vezes seja possível que um observador de fora, analista ou psiquiatra, compreenda formas psicóticas de expressão, o mecanismo compensatório normal da psique fica perturbado de tal modo que se verifica uma enérgica intrusão de imagens inconscientes. Paradoxalmente, o mesmo processo instável da intrusão pelo simbolismo inconsciente ocorre em ocasiões de intensa inspiração criativa e conversão religiosa; mas, em ambos os casos, não existe um continente não-pessoal com força suficiente (obra-de-arte ou RITUAL) para que estabilidade e um senso de propósito possam ser mantidos até que um equilíbrio individual se restabeleça e um SIGNIFICADO se torne aparente.