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O Mito do Vampiro e seu simbolismo
A definição de vampiro mais utilizada é a de que esse é um cadáver que, reavivado, levanta-se de seu túmulo para alimentar-se do sangue de suas vítimas. Faz isso para manter-se imortal e com aspecto jovem. Porém, não podemos afirmar que todos os tipos de vampiros que aparecem nas mais variadas estórias encaixam-se na descrição acima. Os tipos de vampiros e suas características sofrerão variações de acordo com a origem cultural de suas estórias. Apesar da definição clássica de que o vampiro ressuscitaria seu corpo através do sangue da vítima, muitas versões falarão de espíritos desencarnados, como em estórias da Grécia e da Índia . Em outra versão do mito, mais moderna, o vampiro aparecerá como uma forma mais avançada de vida, um ser mais inteligente que poderá ter vindo do espaço sideral ou ser o produto de uma mutação genética (6). Há ainda aqueles que se apresentam como seres humanos comuns, porém são diferenciados dos demais por beberem sangue ou terem poderes extraordinários, como o de sugar ou 'drenar' as pessoas emocionalmente. O que há em comum nas estórias quanto à origem do vampiro, é que em todos os casos, há um morto que vem para a vida. Mais adiante veremos que, psicologicamente, esse episódio pode ser visto como aspectos do inconsciente que saem da escuridão e vêm para a luz da consciência. Uma outra característica comum que aparece nas mais variadas origens do mito do vampiro, é o sugar sangue tanto de humanos quanto de animais. Porém, em muitas estórias e mitos, os comportamentos das personagens que tomam uma forma vampiresca por sugarem sangue de outras pessoas periodicamente, podem ser entendidos como uma forma de drenar a força vital de sua vítima. Assim, observamos que a descrição dos sintomas de quem é atacado por um vampiro e que tem perda de sangue, são a fadiga, a perda da cor do rosto, a apatia, a desmotivação e a fraqueza.
É interessante observar que essas são características semelhantes àquelas apresentadas pelas pessoas que demonstram pouca energia psíquica na consciência como em casos de depressão, onde a maior parte da energia está no inconsciente. Em grande parte dos contos, nas mais diversas culturas, aquele que se torna vítima de um vampiro, acaba transformando-se em um novo vampiro. O animal associado ao vampiro é o morcego. Tal relação se estabelece devido a características específicas desse animal. Uma delas é a de sobrevoar locais escuros, tal como o vampiro, que normalmente tem preferência em atacar quando chega a noite. Segundo Chevalier e Gheerbrant , na arte germânica, o morcego simboliza algumas vezes a inveja. Esses autores colocam que a inveja oculta-se nas sombras e não à luz da consciência. Nesse sentido, também está associado ao escuro aquilo que não é visível nem perceptível. O morcego também tem a característica de sugar o sangue de suas vítimas, assim como o vampiro. Essa talvez seja a característica mais evidente entre os dois. O vampiro, enquanto figura feminina, aparece em algumas variações de mitos . Neste caso, simbolizam algumas mães que sugam a energia de seus filhos, vítimas de um "vampirismo". Tais filhos, no decorrer de suas vidas, podem transformar-se em vampiros e tornar as pessoas de seus relacionamentos pessoais em novas vítimas. Aprenderam desde cedo que crescer não é buscar recursos dentro de si mesmos, e sim nos outros. Desta forma, a relação vampiresca continua até que alguém consiga romper tal dependência doentia. Os vampiros podem se apresentar a suas vítimas de várias formas. Em algumas versões, essas criaturas assumiriam um "corpo astral", termo esotérico que corresponde a um segundo corpo ou espírito, e através desta forma assumida nutrir-se-ia, sugando o sangue da vítima enquanto estivesse dormindo.
Nos países eslavos e em outras culturas onde o cristianismo é assimilado, há versões onde os vampiros assumem uma postura sedutora e de perversão, semelhante aos aspectos demoníacos atribuídos à figura do diabo. Embora em algumas estórias o vampiro simplesmente ataque sua vítima e aja como predador atrás de alimento, essa não é a forma mais difundida de sua atuação. A forma sedutora é ainda a mais explorada, principalmente na modernidade, onde o vampiro se apresenta sempre com algum atrativo para as suas vítimas. Atualmente, as imagens do vampiro são mais elaboradas, e tal ser assume poderes como o hipnotismo, transforma-se em animais, possui habilidade em seduzir, carisma que se diferencia dos mortais, força extraordinária e imortalidade. Assim, o vampiro apresenta-se à vítima de duas formas: por um lado ele a paralisa, e por outro a encanta. Ao sugar o sangue de sua vítima, o vampiro lhe tira sua força vital. Se imaginarmos alguém que perde sangue numa hemorragia, por exemplo, veremos que este apresentará apatia, aspectos de cansaço, perda da coloração da pele, entre outros sintomas. Numa vivência, onde uma pessoa sente-se "sugada" por seu chefe, pela empresa que trabalha, por seu marido, filhos ou em qualquer outra situação, observamos muitas vezes os mesmos sintomas. É como se o tema do vampiro representasse uma alegoria que faz referência a relações que estabelecemos com o mundo e que assumem um caráter de vampirismo. O sangue tem seu simbolismo relacionado com a vida; portanto, sua perda significaria redução da vitalidade.
Essa relação emerge de época primitivas, onde o sangue era utilizado como bebida ou esfregado no corpo das pessoas em sacrifícios religiosos . No cristianismo, como traz a Bíblia, vemos o sangue de Jesus representando seu sacrifício. Da mesma forma, representando o sangue através do vinho, Jesus diz: "Aquele que vos ama lavou em seu sangue nossos pecados". Assim, ao sugar o sangue, o vampiro abstrai a essência de vida de sua vítima, da qual ele alimenta-se para manter-se imortal. Complexos Negativos: o vampiro interior em nós "O complexo rouba do ego a luz e a nutrição, da mesma maneira como um câncer rouba ao corpo a vitalidade". (C.G. Jung)
O complexo, segundo James Hall, é um grupo de imagens relacionadas entre si que tem um acento emocional comum e que se formam em torno de um núcleo arquetípico. Assim, ao longo de nossa vida, teremos experiências que evidenciarão aspectos comuns sob um mesmo tema. Um grande exemplo seriam as experiências com a figura paterna. As experiências com o pai, com o primeiro professor, com o chefe, revelam um traço afetivo comum, formando um complexo paterno. Tal complexo gira em torno de um arquétipo, nesse caso, o do Grande Pai. Os arquétipos, para James Hall , são padrões ou motivos universais que vêm do inconsciente coletivo e formam o conteúdo básico das religiões, mitologias, lendas e contos de fadas, assim como fora introduzido por Jung. Quando o complexo torna-se negativo, ou seja, quando seus conteúdos são negados pela consciência, os mesmos voltam para o inconsciente, e em determinadas situações, invadem o campo da consciência. Os complexos roubam energia do ego, o centro da consciência, e se fortalecem no inconsciente. Portanto, o complexo negativo representará o vampiro que saiu do mundo dos mortos (o inconsciente) e veio sugar ou roubar sangue (a energia psíquica) de sua vítima (o ego).

criado por Milady
16:52:01Sincronicidade: O Ano Novo Solar
:: Graziella Marraccini ::
No dia 20 de março, às 02:48 h o Sol seccionou a linha do Equador Celeste dando início ao novo Ano Solar, aqui no Brasil. Para os astrólogos esse é o verdadeiro Ano Novo. O que esperar desse Ano que inicia? Astrologicamente o ano indica uma tendência muito forte para focalizar os assuntos sociais, já que o ASC se encontra em Aquário, signo que em astrologia é relacionado com os movimentos sociais e humanitários. Netuno, no Ascendente, não forma aspectos, mas estando presente certamente deixará sua influência, nos mobilizando mesmo do ponto de vista espiritual. A consciência de união com o Todo será muito marcante, especialmente no Brasil. Coincidentemente, o Brasil possui esse mesmo ASC e sempre que os dois ascendentes coincidem um marco importante da história acontece. Na cúspide da Casa II (casa dos bens e do dinheiro) encontramos Mercúrio e Vênus, em conjunção em Peixes e esses planetas se encontram em oposição a Saturno - retrógrado. A interpretação que podemos dar a esse aspecto celeste é que, certamente, estaremos ainda falando muito dos cartões corporativos e que os gastos do governo serão certamente focalizados pela mídia. Saturno ficará de olho nos gastos e da mesma maneira estará o povo, já que a Lua também estará ali, em conjunção com esse Grande Pai. Estaremos todos mais sérios, mais conscientes de nossos deveres como cidadãos? Não esqueçam que este será um ano de eleições municipais, portanto, escolhas importantes serão feitas que podem modificar o rumo de nosso país. Urano, também presente na Casa II, poderá servir de ‘abridor de latas’, um verdadeiro ‘opener’ que nos fará enxergar muitas coisas que andam escondidas neste campo em particular. Rapidamente, analiso também o Sol que estará em quadratura com Plutão: esse não é um bom aspecto para os governantes e o pessoal da situação, já que Plutão pode indicar uma reviravolta importante nas próximas eleições, apesar dos ótimos aspectos nas Progressões Anuais do Presidente Lula.
Podemos também aproveitar essa mudança na energia astral para darmos inicio ao nosso Ano Solar? Claro! È muito importante que saibamos aproveitar essa mudança de energia para darmos uma virada à nossa vida! Se este é um ano de Marte, então Marte, que é o regente de Áries, nos ajudará a impulsionar nossa vida para frente, nos ajudando a dar andamento a projetos sentimentais, familiares e profissionais. Se este é um Ano 10, então o Ano 1 iniciará um novo ciclo de nossa vida. Em sincronicidade com o Universo estaremos fazendo acontecer nossos pequenos milagres do dia-a-dia.
Como falei no artigo da semana passada, sincronicidade é o nome que se dá a um acontecimento que nos parece coincidir de maneira surpreendente com algo já pensado, ou já visto. Quem nunca experimentou uma coincidência? Por exemplo, pensar num amigo e este lhe telefonar? Ou falar de alguém e esta pessoa lhe aparecer de repente na frente? A esses acontecimentos chamamos normalmente de coincidências, mas coincidências não são. A incidência simultânea pode ser simplesmente uma ‘sincronicidade’. Jung dizia que não existiam coincidências, mas somente sincronicidades nos acontecimentos. Os cabalistas também dizem que não existem coincidências já que tudo na vida tem um propósito e que nada acontece por acaso. Portanto, devemos concluir que os acontecimentos ‘sincrônicos’ acontecem tão somente para nos transmitir algo! Algum recado importante está sendo enviado para nós por um motivo qualquer que, no momento, pode até escapar à nossa compreensão, mas que, mais tarde, poderemos decifrar.
Recebi muitos emails de internautas que me contaram de acontecimentos ‘sincrônicos’ em suas vidas. O valor desses acontecimentos está em sua compreensão. Mas muitas vezes nos é difícil decifrar esse código com o qual o Criador escreve, não é mesmo? Podemos fazer um esforço: pode ser intrigante pesquisar, em nossa vida, quando e como aconteceram as coincidências mais marcantes, assim, podemos tirar nossas conclusões sobre os recados do céu! Se não os compreendemos, na época, talvez possamos tirar umas lições agora.
Muitas coincidências acontecem quando estamos com algum aspecto de Urano. Sim, Urano, o Deus do Céu! Ele é o Deus da sincronicidade! Sin-cronicidade, ou seja, ‘sem cronicidade’, ou ainda, sem Cronos! A mitologia Grega nos ensina que Urano reinava no Céu antes do nascimento de Cronos (Saturno para os romanos). O Sol está ainda por poucos dias em conjunção com Urano, ou seja, ele está alinhado com esse planeta em relação à nossa visão na Terra. O Sol é nossa essência vital, a representação da própria vida. Esse alinhamento pode ser útil para captar a energia uraniana e trazê-la para a nossa vida se quisermos fazer ‘alguma pequena revolução pessoal’! Os piscianos que aniversariaram no segundo e terceiro decanato (principalmente) fizeram sua Revolução Solar com essa conjunção em seu mapa. Podem então esperar grandes transformações em sua vida! A primeira vista o aspecto é terrível, causa irritação, tira o sono, impede o descanso, mas pode ser fantástico para melhorar a criatividade, gerando uma enorme quantidade de idéias! O cérebro parece não descansar nem mesmo quando dormimos. Quanto estresse! O planeta Urano é representado na Astrologia Alemã com o símbolo do Sol - (um círculo com um ponto no centro) + uma seta vertical - sugerindo Marte, ou seja, com um vetor apontando para cima.
Urano = Sol + Marte.
Urano tem uma natureza destruidora! Vista cabalisticamente, a natureza de Urano, colocado no triângulo Superior na Arvore da Vida, indica uma vibração de uma oitava superior àquela de Mercúrio, e por isso estimula nosso sistema nervoso numa dimensão incontrolável! A eletricidade está no ar; parece que nossa mente fica ‘plugada’ no espaço sideral e começa a receber informações de todo tipo de forma um pouco descontrolada. Por outro lado, se o Sol é significador da Consciência Individual, Urano é significador da Consciência Cósmica, e nos eleva, espiritualmente falando. Através dessa energia abarcamos o Todo, vislumbramos e interagimos com o Cosmo. Por essa razão podem ocorrer sincronicidades fantásticas neste período. Se ficarmos atentos aos sinais, poderemos abrir nossa consciência e nos tornarmos co-agentes de transformações de nossa realidade material, co-criadores juntamente com o Criador. Podemos ter uma participação mais ativa e abrangente na reforma (re-construção) do mundo em que vivemos. Ele nos ajuda a caminhar rumo a uma liberdade total, exercendo aquela parcela de livre-arbítrio que nos cabe! Quando estamos acomodados numa situação, Urano nos chacoalha, nos ameaça, acende um raio luminoso cósmico que nos impede de ‘dormir’! Essa presença Uraniana no céu desse momento pode ser útil para romper aquele véu que nos impede de enxergar mais longe e alçar vôos mais elevados, mais ousados. Podemos assim ter uma perspectiva ‘de cima’ dos acontecimentos de nossa vida, como se olhássemos a terra ‘de longe’, do espaço sideral! Podemos ter revelações importantes sobre os rumos de nossa existência, e direcionar nossa vida em outra direção, pois compreendemos, subitamente, que finalmente podemos ‘escolher’ se ficarmos sentados no sofá, ou sairmos à conquista de nosso destino!

criado por Milady
16:38:09A Sombra
por Claudia Araujo
Temos a tendência a imaginar que nossa sombra é algo mau, que necessita ser descartada, mas na verdade não é bem assim. A sombra é composta apenas pelos conteúdos que foram recalcados por nosso ego, os aspectos de nossa personalidade que foram negligenciados para que pudéssemos nos esconder por trás de uma persona (máscara) que considerávamos conveniente, ou que nos ensinaram a considerar assim. Esses conteúdos ficaram então como que armazenados num compartimento sem liberdade de expressão para que não atrapalhassem nosso desempenho na peça teatral que escolhemos representar na vida; só que não os exercitando, educando, aprimorando ou permitindo que de alguma forma tenham expressão, os obrigamos a retroceder à sua forma mais primitiva, ao seu extremo, se tornando detestáveis. E aí sim, eles se tornam perigosos.
Pela repressão, esses conteúdos se intrometem em nossa vida de forma completamente descoordenada, ora nos boicotando, ora nos apanhando de surpresa em situações inesperadas. A sombra é o nosso "calcanhar de Aquiles", a nossa parte mais vulnerável, uma vez que não a reconhecemos, mas que é visível para os outros. O desespero em nos livrar dessa sombra, mesmo que inconsciente, se faz acompanhar muitas vezes pela mania de limpeza, e acabamos em nos preocupar não com o asseio necessário, mas com o excesso, muitas vezes com coisas absolutamente acessórias e que acabam por nos privar de vivermos com um pouco mais de conforto e liberdade.
A sombra é nossa "outra parte, nossa "irmã tenebrosa", invisível para nós mas que faz parte de nossa totalidade. Por ser relegada ao inconsciente, e por ser primitiva, nossa sombra se mostra em atuação sempre que vivenciamos situações que depois nos perguntamos como fomos capazes de tal atitude. O contato com nossos aspectos de sombra, a sua compreensão, a sua aceitação e expressão nos permite dominá-la e transformar esses conteúdos em colaboração criativa, em novo potencial que desconhecíamos, mas que é capaz de uma vez integrado à consciência e coordenado por nosso ego, nos tornar alguém mais completo, dinâmico e criativo. Ela representa aquilo que falta a cada personalidade, ela é para cada um, aquilo que poderia ter vivido e não viveu. E assim, é colocada a questão: quem somos nós em relação aquilo que poderíamos ter sido?
A sombra aparece neste contexto então, como uma iniciação, uma nova hierarquia de valores, uma revelação do verdadeiro funcionamento da vida interior, a primeira realização do modelo consciente de bipolaridade e de simbolização. Algo capaz de nos tornar mais completos, mais plenos, mais aceitáveis por nossa alma. Quando recalcamos esses conteúdos, muitas vezes jogamos fora partes essenciais nossas e as matamos, nos transformando em seres amputados, aos quais nos falta nossa verdadeira identidade. Para que entendamos a sombra, basta que pensemos na sombra que projetamos ao estarmos expostos ao sol. Ela é mais feia do que nós? Não se pode dizer isso, é apenas nossa sombra, aquilo que nos pertence ( somos nós mesmos a provoca-la), mas que não enxergamos, ela vem atrás. Os outros sim, a vêem. Buscar reconhece-la em nós mesmos, é buscar restaurar nossa totalidade perdida, buscar nossa completude e integração, um processo saudável de nossa psique, e uma atitude honesta para conosco mesmos. 

criado por Milady
18:53:39
A Anima
por Claudia Araujo
Anima significa alma, é ela quem propicia ao homem a capacidade de vivenciar a emoção e o relacionar-se. É sua imagem de alma e da mulher que lhe povoa internamente como um ideal. É um derivativo da imago materna e das mulheres que povoaram sua infância.
Musa inspiradora de muitos grandes poetas, escritores, pintores e compositores, esse arquétipo do feminino, intermedeia o mundo pessoal do homem e o reino do inconsciente coletivo. Sua natureza é cíclica, lunar, como a da mulher. Palavras de Jung em AION:
" O fator que cria a projeção é a anima. (...) Ela não é uma invenção do consciente, mas uma produção espontânea do inconsciente; ela também não é uma figura que substitui a figura da mãe, mas tudo acontece como se as propriedades numinosas que tornam a imago da mãe tão influentes e tão perigosa proviriam do arquétipo coletivo da anima.(...) Do mesmo modo que para o filho o primeiro portador do fator de projeção parece ser a mãe, na filha esse papel é ativado pelo pai."
Através desse arquétipo, todas as influências que afetam as mulheres de um modo geral, afetam o homem, e o perigo reside exatamente no fato de sua inconsciência, do não saber lidar com essas influências, uma vez que ficou à priori estabelecido que elas não pertencem ao mundo do masculino. Sempre que afetos extremados e carregados de emoção descontrolada, aparecimento de angústia e medos afetivos estiverem se expressando no homem, isto se constitui numa expressão de sua anima. A natureza do homem é mais lógica e mais racional que a da mulher, e não se permite esses estados mais descontrolados. Jung classificou quatro níveis de anima: Eva, Helena, Maria e Sofia. A anima enquanto Eva está mais ligada à terra, ao arquétipo da mãe; a sua função é procriar, e ser a contraparte feminina de um homem. A anima enquanto Helena, possui uma função de mediadora, é a mulher capaz de identificar-se com valores masculinos, e relacionar-se com maior independência com um homem. A anima enquanto Maria, apresenta uma ótica espiritualizada do feminino, ela afasta o homem de um contato verdadeiro com a mulher. Já no que diz respeito a anima enquanto Sofia, traduz-se numa representação da própria sabedoria, o que faz dela uma figura mais humana. Desenvolvida espiritualmente, essa anima está mais perto da terra do que as outras, com exceção de Eva. Uma atitude de consciência jovial tem uma figura de anima mais idosa; a consciência senil encontra correspondência numa menina, sempre sendo vivenciada a polaridade oposta: escuro/claro, velho/novo, frio/quente, consciente/inconsciente, maduro/imaturo, etc..., e quanto mais um homem se identifica com o seu papel social e biológico de homem (persona), maior será a dominação interna da anima.
A Anima é: "a sedutora glamourosa, possessiva, temperamental e sentimental que existe no homem". Poderemos considerar como imagens de anima aqueles seres conhecidos de várias lendas e contos de fadas tais como ninfas, virgens transformadas em cisnes, ondinas e fadas. Elas normalmente são de uma beleza arrebatadora, mas apenas meio-humanas, tendo um rabo de peixe, como as sereias ou metamorfoseando-se em ave, como as que se transformam cm cisnes, prenunciando sua natureza não humana.
A mulher-anima quando se relacionando, não é jamais ela mesma, mas funciona apenas como um espelho para os anseios do homem com o qual se encontra em relacionamento. Daí, encontramos mulheres que em cada relacionamento se manifestam com um tipo de personalidade, muitas vezes adotando essa mesma personalidade, em sua aparência exterior.
O caminho para a saúde psicológica do homem, é o reconhecimento e integração destes elementos inconscientes da alma. Ele precisa entabular a relação com a anima interior, isto é, com sua própria feminilidade, para que não a viva projetada e seja arrebatado, enfeitiçado pelo encanto de uma mulher exterior. Esse arrebatamento, e essa projeção que o homem faz, é o que fez com que a mulher fosse considerada perigosa, cheia de artimanhas, feitiços. A integração da anima, isto é, do elemento feminino na personalidade consciente do homem, faz parte do processo de individuação.

criado por Milady
18:45:38O Animus
Animus é espírito; logos; iniciativa, poder criativo e decisão. Esse arquétipo também é formado a partir das figuras masculinas ligadas à infância, ao pai, a um irmão mais velho, a um professor, ao tio, pessoas que povoaram o mundo de nossa infância, assim como no caso da anima. Esse princípio masculino na mulher, se expressa de maneira geral, através de julgamentos e de generalizações que não estão de acordo com a forma de pensar típica do feminino, é um raciocínio típico de nossa sociedade patriarcal, castrador, preconceituoso, autoritário, repleto de lógica masculina de qualidade inferior, da mesma forma que a anima é composta de pensamentos femininos inferiores. Está sempre pronto para condenar e depreciar. Mas assim como a anima, o animus possui tanto aspectos positivos como negativos. Em seu aspecto impulsiona a mulher para a ação, para a realização, lhe dá a energia e poder de decisão, levando-a a individuação.
O problema consiste em que normalmente, a mulher inconsciente dessa sua contraparte sexual, toma a lógica discriminadora do animus como sendo pensamentos seus e acaba por ser possuída pelo arquétipo. O animus negativo por vezes se manifesta interiormente na mulher, como uma voz capaz de convencê-la de que não serve para nada, que não sabe fazer nada direito, de que é uma incompetente que ninguém seria capaz de amar, ou acusando-a de estar sempre errada, além de não haver nascido para se realizar e ser feliz. E ela acaba por acreditar nisso construindo um destino infeliz, pois afinal, somos o que acreditamos
. Quando esse tipo de animus é projetado pela mulher num homem, ele funciona como um carrasco que não lhe permite ser viver em paz minando a fé que ela poderia depositar na sua capacidade de realização efetiva. Vemos muitas mulheres capazes sendo chamadas de ignorantes, burras, limitadas que acabam assimilando esses conceitos errôneos e não se inserindo no mercado de trabalho. É bastante comum em atendimento, nos depararmos com mulheres assombradas por terem conseguido refazer suas vidas, alegando que jamais puderam acreditar nisso, em razão do que seus maridos lhe diziam sobre sua total incapacidade.
O animus negativo, assim como a anima, pode ainda ser o causador dos fracassos nos relacionamentos. O CAMINHO DOS SONHOS, Marie Louise von Franz, Cultrix:
"Essa é a maior tragédia oriunda do animus negativo. Ele manifesta seu poder no momento em que a mulher ama. Ele tenta afastar a mulher de qualquer tipo de relacionamento, desvalorizando-o ou dizendo que é loucura. O animus negativo manifesta-se sobretudo como uma resistência, baseada em opiniões, a qualquer sentimento de amor. Se uma mulher se apaixona ou se interessa por um homem, seu animus negativo vem à tona e faz com que ela arruíne o relacionamento. Subjetivamente, ela não sabe o que está acontecendo. Ela acha que é maldição... Talvez ela projete e diga: "Ele foi tão maldoso comigo", ... O animus negativo comporta-se como um amante ciumento... se ela tem um sentimento amoroso por algum homem, logo aparece esse animus que diz: "você não deveria fazer isso".
Ou então ele é projetado." Escuta-se muitas vezes de mulheres a frase de que trocar de homem é apenas trocar de problemas, coisa pouco escutada pela voz do homem com relação à mulher. Temos que entender que o animus não é um homem, mas quase uma caricatura de... Segundo Emma Jung, uma vez que o animus é espírito, é o afastamento de seu lado espiritual que leva a mulher a ser possuída pelo arquétipo. Se o seu espaço espiritual não está devidamente preenchido, o animus se apossa desse espaço. A vida intelectual na mulher é tão importante para a sua saúde quanto o cultivo de sua alma. Enquanto ela cria, elabora espírito e mantém seu animus ocupado em tarefas mais dignas do que emitir juízos de valores. Integrar o animus à sua personalidade, sem a negação do feminino, é o caminho que leva a mulher a autonomia e a individuação.
Cláudia Araújo

criado por Milady
01:52:00