Decifra a ti mesmo ou devoro-te

Auto-conhecimento é a base para o homem manter-se integrado.

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Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2009

25.01.09

Necessidade básica emocional

 

Sigmund Freud disse em algum lugar que o homem nasce neurótico. Isso é uma meia-verdade. O homem não nasce neurótico, mas ele nasce em uma humanidade neurótica e a sociedade à volta deixa todo mundo neurótico mais cedo ou mais tarde. O homem nasce natural, real, normal, mas no momento em que a criança se torna parte da sociedade, a neurose começa a funcionar.

... a neurose consiste em uma divisão - uma profunda divisão. Você não é um: você é dois ou mesmo muitos... Seu sentimento e seu pensamento tornaram-se duas coisas diferentes: essa é a neurose básica. Sua parte que pensa e sua parte que sente se tornaram duas e você está identificado com a parte que pensa, não com a parte que sente.
E sentir é mais real do que pensar; sentir é mais natural do que pensar. Você nasceu com um coração que sente, mas o pensar é cultivado: ele é dado pela sociedade. E seu sentimento se tornou uma coisa reprimida. Mesmo quando você diz que sente, você somente pensa que sente. O sentimento tornou-se morto e isso aconteceu por certas razões.

Quando uma criança nasce, ela é um ser sensível: ela sente coisas. Ela não é ainda um ser que pensa. Ela é natural, exatamente igual a qualquer coisa natural na natureza - exatamente como uma árvore ou como um animal. Mas nós começamos a moldá-la, a cultivá-la. Ela tem de reprimir seus sentimentos, porque sem reprimir seus sentimentos ela está sempre atormentada.
Quando ela quer chorar, ela não pode chorar porque seus pais não aprovarão. Ela será condenada. Ela não será apreciada, não será amada. Ela não será aceita como ela é. Ela deve se comportar; ela deve se comportar de acordo com uma determinada ideologia, determinados ideais. Somente então ela será amada.

O amor não virá para ela como ela é. Ela somente pode ser amada se seguir certas regras. Essas regras são impostas; elas não são naturais. O ser natural começa a se tornar reprimido, e o não natural, o irreal, é imposto sobre ela. Este irreal é sua mente; e chega um momento em que a divisão é tão grande que você não pode transpô-la.
Você continua se esquecendo completamente qual era - ou é - a sua natureza real. Você é uma face falsa - a face original foi perdida. E você também está com medo de sentir a original, porque no momento em que você a sentir, toda a sociedade estará contra você. Assim, você mesmo é contra a sua natureza real.

Isso cria um estado muito neurótico. Você não sabe o que você quer; você não sabe quais são suas necessidades reais, autênticas. E então você continua atrás de necessidades não-autênticas, porque somente o coração que sente pode lhe dar o sentido, a direção, de quais são as suas necessidades reais. Quando elas são reprimidas, você cria necessidades simbólicas. Por exemplo, você pode continuar comendo cada vez mais e mais, empanturrando-se com comida e você pode nunca sentir que já está satisfeito.

A necessidade é de amor; não é de comida. Mas a comida e o amor estão profundamente relacionados; assim, quando a necessidade de amor não é sentida, ou é reprimida, uma necessidade falsa por comida é criada e você pode continuar comendo. Como a necessidade é falsa, ela nunca pode ser satisfeita e nós vivemos em falsas necessidades.

É é por isso que não existe satisfação.
Você quer ser amado; essa é a necessidade básica - natural. Mas ela pode ser desviada para uma falsa dimensão. Por exemplo, a necessidade de amor, a necessidade de ser amado, pode ser sentida como uma necessidade falsa se você tenta desviar a atenção dos outros para si. Você quer que os outros prestem atenção em você; assim, você pode se tornar um líder político.

Grandes multidões podem prestar atenção em você, mas a necessidade básica real é de ser amado. E mesmo que todo mundo esteja prestando atenção em você, essa necessidade básica não pode ser preenchida. Essa necessidade básica pode ser preenchida até mesmo por uma única pessoa que o ame, que preste atenção em você devido ao amor.

Quando você ama alguém, você presta atenção nessa pessoa. Atenção e amor estão profundamente relacionados. Se você reprime a necessidade de amor, então, ela se torna uma necessidade simbólica; então, você precisa da atenção dos outros. Você pode tê-la, mas, então também, não haverá preenchimento. A necessidade é falsa, desconectada da necessidade natural, básica. Essa divisão na personalidade é a neurose.
OSHO, em O Livro dos Segredos.

24.01.09

Confúcio e o sábio...

 

Conta uma lenda chinesa que certa vez, achava-se Confúcio, o grande filósofo, na sala do rei. Em dado momento, o soberano, afastando-se por alguns instantes dos ricos mandarins que o rodeavam, dirigiu-se ao sábio chinês e lhe perguntou:
- Como deve agir um magistrado? Com extrema severidade a fim de corrigir e dominar os maus, ou com absoluta benevolência a fim de não sacrificar os bons?

Ao ouvir as palavras do rei, o ilustre filósofo conservou-se em silêncio.
Passados alguns minutos, de profunda reflexão, chamou um servo, que estava por perto, e pediu-lhe que trouxesse dois baldes um com água fervente e outro com água gelada.

Havia na sala, adornando a escada que conduzia ao trono, dois lindos vasos dourados de porcelana. Eram peças preciosas, quase sagradas, que o rei apreciava muito.

Com a maior naturalidade, ordenou o filósofo ao servo:
- Quero que enchas esses dois vasos com a água que acabas de trazer, sendo um com a água fervente e o outro com a água gelada!

Preparava-se o servo obediente para despejar, como lhe fora ordenado, a água fervente num dos vasos e a gelada no outro quando o rei, saindo de sua estupefação, interrompeu-o com incontida energia:

- Que loucura é essa, venerável Confúcio! Queres destruir essas obras maravilhosas? A água fervente fará, certamente, arrebentar o vaso em que for colocada e a água gelada fará partir-se o outro!

Confúcio tomou, então, um dos baldes, misturou a água fervente com a água gelada e, com a mistura assim obtida, encheu os dois vasos sem perigo algum.

O poderoso monarca e seus mandarins observavam atônitos a atitude singular do filósofo. Este, porém, indiferente ao assombro que causava, aproximou-se do soberano e falou:
- A alma do povo, ó rei, é como um vaso de porcelana, e a justiça é como água. A água fervente da severidade ou a gelada da excessiva benevolência são igualmente desastrosas para a delicada porcelana.

Faz uma pausa e concluiu:
- Por isso é sábio e prudente que haja um perfeito equilíbrio entre a severidade, com que se pode corrigir o mau, e a benevolência, com que se deve educar o bom.

17.01.09

Casamento(Jung)

 

O contexto normalmente esclarece se Jung está se referindo ao casamento como um relacionamento prolongado entre um homem e uma mulher ou a um casamento interno de partes masculinas e femininas da psique de um indivíduo ou à CONIUNCTIO ou, finalmente, ao hierosgamos (casamento sagrado, ver ALQUIMIA).

A crença de Jung era de que os OPOSTOS atraem-se e achava que os casamentos (no sentido externo) provavelmente envolveriam personalidades de matizes diferentes. Desenvolveu um modelo próprio (CW 17, parágs. 324-45) em que se pressupõe que um parceiro em um casamento terá uma psicologia pessoal mais complexa que o outro. O sexo dos parceiros envolvidos não influi neste aspecto. A personalidade complexa, de algum modo, conterá a personalidade mais simples e, por um espaço de tempo, tudo pode estar perfeito. Porém o parceiro mais complexo se verá desestimulado pelo menos complexo e procurará em outra parte o que imagina ser o preenchimento (ver PROJEÇÃO). Isso torna a personalidade contida, a mais simples, cada vez mais dependente e provavelmente disposta a investir qualquer coisa no relacionamento. A observação de Jung era de que o parceiro que funciona como continente tem uma necessidade secreta de contenção e isso é buscado em tentativas com outras pessoas. O recurso para esse parceiro é reconhecer suas necessidades de dependência. O parceiro contido tem de ver que a salvação não será encontrada na forma do outro parceiro.

É difícil avaliar esse modelo. Tanto quanto se possa confiar na evidência experiencial, isso sugere que não é o caso de opostos atraindo-se, nem, de fato, de similares. Antes, a escolha de parceiro no casamento parece depender da percepção de um equilíbrio controlável entre diferença e semelhança. O modelo continente-conteúdo de Jung é uma tentativa de descrever o que hoje se refere como “conluio”. Também é útil ver os parceiros em um casamento às vezes operando sob a égide de uma fantasia compartilhada. Os parceiros podem ter elementos em seus fundamentos íntimos que promovem tal fantasia compartilhada. Jung não apresentou uma análise completa de dinâmicas conjugais, mas estava interessado nos fatores psicológicos envolvidos.

O modelo continente-conteúdo não deveria ser considerado isoladamente da atividade da ANIMA E ANIMUS. Estas estruturas arquetípicas influenciam os relacionamentos e, daí, os aspectos no outro que determinam a escolha de parceiro podem, até certo ponto, ser julgados projeções de anima e animus (ver ARQUÉTIPO). Porque essas PERSONIFICAÇÕES são influenciadas em certa medida por relacionamentos da infância com o genitor do sexo oposto, as escolhas de parceiros de casamento muitas vezes refletem a condição psicológica do genitor com quem a criança está inconscientemente unida (ver INCESTO).

A idéia de um casamento interno apóia-se na convicção de Jung de que toda a gama de possibilidades psicológicas está disponível para qualquer pessoa (ver GÊNERO; SEXO). Resulta que a personalidade pode ser descrita em termos de um equilíbrio entre fatores masculinos e femininos. Quando “masculino” e “feminino” são usados para se referir a tendências internas, o papel do gênero externo não está diretamente envolvido. Contudo, Jung freqüentemente passava por cima disso e, às vezes, uma confusão entre sexo e gênero se torna aparente.

Recentemente, prestou-se atenção à questão da INDIVIDUAÇÃO em um relacionamento de casamento. “Casamentos de individuação” não se prendem aos padrões do COLETIVO, mas servem aos mais profundos interesses dos parceiros fomentando um estilo de relacionar-se específico das duas pessoas (Guggenbühl-Craig, 1977).

13.01.09

Arquétipo(Jung)

 

O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como ANIMA, SOMBRA, PERSONA, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

A parte herdada da PSIQUE; padrões de estruturação do desempenho psicológico ligados ao INSTINTO; uma entidade hipotética irrepresentável em si mesma e evidente somente através de suas manifestações.

A teoria dos arquétipos, de Jung, desenvolveu-se em três estágios. Em 1912 ele escreveu sobre imagens primordiais que reconhecia na vida inconsciente de seus pacientes, como também em sua própria auto-análise. Essas imagens eram semelhantes a motivos repetidos em toda parte e por toda a história, porém seus aspectos principais eram sua numinosidade, inconsciência e autonomia (ver NUMINOSO). Na concepção de Jung, o INCONSCIENTE coletivo promove tais imagens. Por volta de 1917, escrevia sobre dominantes não-pessoais ou pontos nodais na psique, que atraem energia e influenciam o funcionamento de uma pessoa. Foi em 1919 que pela primeira vez fez uso do termo arquétipo, a fim de evitar qualquer sugestão de que era o conteúdo e não o esboço ou padrão inconsciente e irrepresentável que era fundamental. São feitas referências ao arquétipo per se para que fosse claramente distinguido de uma IMAGEM arquetípica compreensível (ou compreendida) pelo homem.


Em 1934, Jung escreveu:

Os princípios básicos, os archetypoi, do inconsciente são indescritíveis em virtude de sua riqueza de referência, muito embora recognoscíveis em si mesmos. O intelecto discriminador naturalmente prossegue tentando estabelecer-lhes significados únicos e, assim, perde o ponto essencial; pois aquilo que, antes de tudo, podemos estabelecer como compatível com sua natureza é seu significado múltiplo, sua quase ilimitada riqueza de referência, que torna impossível qualquer formulação unilateral (CW 9i, parág. 80). 

Com o uso crescente do termo, encontramos freqüentes referências a fenômenos tais como “um necessário deslocamento do arquétipo paterno” ou “o arquétipo em deslocamento da feminilidade”. A palavra foi incluída no Dictionary of Modern Thought de Fontana, em 1977.

12.01.09

Animus,Anima(Jung)

Estes conceitos foram delineados empiricamente e possibilitaram a Jung dar coerência a uma vasta gama de fenômenos psíquicos observáveis e diferenciá-los posteriormente quando trabalhava com analisandos. Na análise, a separação da anima ou animus está intimamente ligada ao trabalho inicial de tornar a SOMBRA consciente. As imagens originais são ilustrativas de COMPLEXOS psíquicos semiconscientes, PERSONIFICAÇÕES autônomas e amplamente independentes até adquirem solidez, influência e, finalmente, CONSCIÊNCIA, mediante o confronto com o mundo cotidiano. Jung advertia contra conceituar apenas (assim perdendo contato com anima /animus como forças vivas) ou agir de um modo que negue a REALIDADE PSÍQUICA de tais figuras interiores.

A possessão pela anima ou pelo animus transforma a personalidade de modo a dar proeminência àqueles traços que são considerados psicologicamente característicos do sexo oposto. Em um ou outro caso, uma pessoa perde a individualidade, antes de tudo, e, conseqüentemente, tanto o encanto como os valores. Em um homem, ele fica dominado pela anima e pelo princípio de EROS com conotações de inquietação, promiscuidade, mau humor, sentimentalidade – o que quer se possa definir como uma emocionalidade irreprimida. Uma mulher sujeita à autoridade do animus e do LOGOS é controladora, obstinada, cruel, dominadora. Ambos tornam-se unilaterais. Ele é seduzido por pessoas inferiores e forma ligações pouco significativas; ela, sendo absorvida por um pensamento de segunda classe, marcha à frente sob a égide de convicções que não levam em conta os relacionamentos.

Falando em termos não-profissionais, Jung dizia que os homens aceitavam a anima prontamente quando ela aparecia em um romance ou como uma estrela de cinema. Porém, era diferente quando se tratava de observar o papel que ela desempenhava em suas próprias vidas.

Caso houvesse feito uma alegação correspondente sobre o animus, poderia ter dito que até recentemente as mulheres estiveram por demasiado prontas e propensas a permitir que os homens lutassem por elas, esperando secretamente pela libertação por um cavaleiro em um corcel branco. Mas agora que passaram a aceitar seus lugares não como homens mas lado a lado com homens, o assunto é diferente. Querendo gozar de um status de igualdade, mas ao mesmo tempo desejando permanecer fiéis à sua identidade como mulheres, tiveram de harmonizar-se com quem realmente é o padrão em suas vidas e revelar suas fontes íntimas de autoridade.

Hillman (1972, 1975) investigou e elucidou a psicologia da anima. Insiste em que é ela quem personifica a inconsciência de toda nossa cultura ocidental e pode ser a imagem pela qual seremos liberados imaginativamente.

Não existe um trabalho ou uma obra de correspondente profundidade sobre o animus. Além do mais, devido às infelizes conotações da possessão pelo animus que possam haver caracterizado mulheres pioneiras em uma sociedade dominada pelo macho, deu-se muito pouca atenção às intervenções psíquicas do chamado animus positivo ou natural, em confronto como o animus negativo e adquirido (Ulanov, 1981).