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criado por Milady
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18:21:58
Jung mostrava resistência à tendência na psiquiatria de sua época a gastar um esforço imenso na classificação correta da doença mental. Assim, exceto quanto a uma ampla distinção entre a neurose e a PSICOSE (especificamente entre a posição e força do EGO na HISTERIA e na ESQUIZOFRENIA, respectivamente), uma categorização bem desenvolvida não existe em seus escritos (CW 2, parág. 1070). Não há paralelo, por exemplo, com a distinção de Freud entre as neuroses reais, derivadas da própria sexualidade, e as psiconeuroses (tais como a histeria), derivadas de um conflito psíquico incontrolável. Entretanto, como afirma Laplanche e Pontalis, “dificilmente é possível alegar que uma distinção efetiva tenha sido estabelecida entre as estruturas da neurose, psicose e perversão. Em conseqüência, nossa própria definição de neurose está inevitavelmente aberta à crítica de que é demasiadamente ampla” (1980).
A atitude geral de Jung era de que a pessoa com a neurose era mais apropriada para receber a atenção que a própria neurose. Uma neurose não deveria estar isolada do resto da personalidade, mas, antes, ser vista como permeando o todo da PSIQUE perturbada psicopatologicamente. Daí, na ANÁLISE, é o conteúdo dos complexos o aspecto crucial, não uma avaliação clínica refinada .
Quanto a definir neurose, Jung falava em desenvolvimento unilateral ou não-equilibrado. Às vezes o desequilíbrio está entre o ego e um ou mais complexos, outras vezes Jung usava seu esquema da psique para se referir às dificuldades do ego com relação às outras instâncias psíquicas tais como a anima ou o animus e a SOMBRA . Portanto, a neurose é uma falha (provisória) da capacidade natural da psique de exercer uma FUNÇÃO AUTO-REGULADORA DA PSIQUE .
Ao mesmo tempo, os sintomas neuróticos podem ver vistos como algo mais que resultantes de um distúrbio ou desequilíbrio subjacente. Podem ser considerados tentativas para uma autocura (ver PROCESSO DE CURA) ao chamarem a atenção de uma pessoa para o fato de que ela está fora de equilíbrio, está sofrendo de uma des-ordem* .
O quadro clínico da neurose muitas vezes, mas nem sempre, contém o sentimento de falta ou ausência de significado. Isso levou Jung a se referir metaforicamente a uma neurose típica como um problema religioso (CW 11, parágs. 500-15).
A relutância de Jung em usar a redução a fatores infantis como explicação significa que ele não deixou nenhuma teoria abrangente da ETIOLOGIA DA NEUROSE. Contudo, a idéia do complexo pode ser usada descritivamente para esclarecer a constituição de uma neurose. No entanto, às vezes Jung parece sugerir que a neurose é uma questão de constituição inerente (ver ARQUÉTIPO; MÉTODOS REDUTIVO E SINTÉTICO; REALIDADE PSÍQUICA).
.* Dis-ease, no original inglês; literalmente, na composição deste termo: “falta de bem-estar”.

criado por Milady
14:39:30
Em geral aceita como significando a transformação da doença em saúde. Jung referia-se ao difundido preconceito de que a ANÁLISE provê alguma coisa parecida com uma cura e de que, uma vez terminada, uma pessoa pode esperar estar objetivamente “curada”. Porém, dizia, não é este o caso; pois é improvável que possa algum dia existir uma forma de PSICOTERAPIA que efetuará a “cura”.
Jung dizia ainda que está na natureza da vida apresentar obstáculos ao seres humanos, às vezes na forma de doença, e esses obstáculos, quando não excessivos, nos fornecem oportunidades para REFLEXÃO sobre formas impróprias de adaptação do EGO, de modo que tenhamos uma oportunidade de descobrir atitudes mais adequadas a fazer os ajustes necessários. Contudo, estava ciente de que tais mudanças são válidas somente por um limitado período de tempo, após o qual um problema pode voltar a se instalar. À parte isso, a INTEGRAÇÃO de experiências problemáticas pode ser considerada como propiciada pelo SELF e eventualmente levar à INDIVIDUAÇÃO. Daí a atitude do analista com relação à cura pode ajudar o paciente a aceitar que uma condição neurótica poderia ser um fator potencialmente positivo em sua vida .
Devido à sua natureza dialética, a análise às vezes é chamada de “cura pela conversa” e, em virtude da conexão conceitual que Jung estabeleceu entre PSIQUE e SIGNIFICADO, também foi chamada de “cura de almas”. Entretanto, Jung admitia apenas excepcionalmente essa denominação, pois fazia uma firme diferenciação entre o trabalho da análise e a cura pastoral das almas oferecida pelos clérigos. Via a análise mais similar a uma intervenção médica com a finalidade de expor os conteúdos do INCONSCIENTE e tornando-os acessíveis para uma integração na CONSCIÊNCIA. Aqui ele se identificava com Freud e com a tradição psicanalítica.
No entanto, ao mesmo tempo, porque via um sofrimento neurótico como potencialmente significativo e aceitava um PONTO DE VISTA TELEOLÓGICO, reconhecia que o trabalho do analista deve servir às necessidades não atendidas tanto pelos médicos como pelos clérigos, relutantes em aceitar a possibilidade de uma função religiosa espontânea operante na psique. Assim, achava que aqueles que chegavam até ele deveriam ser notificados da impossibilidade de uma cura definitiva, mas, simultaneamente,ser preparados para reconhecer a possibilidade de existir um significado simbólico inconsciente em seu sofrimento.

criado por Milady
14:45:12